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Eu Sou o Meu Maior Desafio

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Diariamente, passo horas a analisar e entrevistar pessoas. Pessoas muito diferentes umas das outras, mas que têm em comum o objectivo de concretizarem os seus sonhos e conseguirem atingir as metas a que se propuseram. Nestas reuniões e entrevistas, abordamos sempre o que alcançaram ao longo do percurso escolar e profissional, e em particular as consequências das sua acções e decisões.

Durante estas interações, comecei a notar algumas alavancas recorrentes que desempenhavam um papel central, tanto no sucesso como no fracasso.

Habituei‑me a ouvir e compreender os processos de decisão das pessoas, isto é, o que está na génese e o que influencia as suas escolhas. O que está na base das suas motivações, anseios e ambições. Este é um interessante processo de aprendizagem da psicologia humana, na sua dimensão socioprofissional.

Ouço vezes sem fim as mesmas frases fatalistas, em circunstâncias pessoais completamente diferentes. São determinações absolutas que servem de escudo, de mecanismo justificativo para certas decisões pré‑formatadas, como se tratássemos de critérios obrigatórios e mandatórios pela regra social. São inúmeras as variáveis de sucesso e fracasso, mas vale a pena aprofundar aqui a componente da atitude determinista.

O que pretendo partilhar é que as normas deterministas são apenas desculpas, razões artificiais que usamos perante nós próprios e os outros em relação a certas decisões que tomamos e que muitas vezes não são as decisões correctas para continuarmos a crescer como pessoas. Porque não nos trarão mais felicidade nem nos conduzirão à realização.

Com ambição, conseguimos encontrar energia e coragem para enfrentar os desafios. Falo do estímulo de tentarmos sempre fazer melhor. Da conquista permanente de sermos mais, de chegarmos mais longe. Ser‑se ambicioso é positivo. Confere‑nos força anímica, coragem, maior ritmo e determinação. Tudo isto sem que se atropele os outros e se desrespeite os compromissos.

No extremo oposto na escala de ambição encontramos a resistência à mudança. Quando pensamos na dificuldade apresentada por um novo empreendimento, numa mudança de atitudes ou hábitos, ou na necessidade de compromisso, parece que algo nos arrasta para um estado de inércia. Após uma fase inicial de entusiasmo ingénuo, reduzimos a velocidade, à espera do momento certo para nos comprometermos com uma decisão.

Temos medo de enfrentar o desconhecido. Preferimos ficar na nossa zona de conforto. Não gostamos de correr riscos, de aceitar a probabilidade de termos de aprender, de nos expormos perante os outros sem a nossa imagem já formatada a que nos habituamos.

Mas o risco da mudança será sempre minimizado pela autopreparação. Mudar, melhorar, avançar é sempre bom. Saber gerir este processo é o cerne da questão. E este é um percurso sábio, individual e gradual de autoconhecimento. 

Temos de ser capazes de sair do caminho fácil e analisar um percurso mais longo, mais além, fazer opções com visão do futuro, e ser mais estratégicos em relação ao que queremos ser hoje, mas também amanhã. Se cada um de nós é o seu maior projecto, é preciso compreendermos as nossas próprias circunstâncias, diferenciá-las e incorporá-las em função do que realmente queremos construir para o nosso eu.

Maria da Glória

Maria da Gloria
Mestre em Psicologia pela Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto e possui uma especialização em Desenvolvimento e Organização Empresarial. Maria da Glória é alumnus do IMD em Lausanne na Suíça e certificada pelo Amrop Trusted Advisor Program: C-level Positioning.Tem um forte "background” na área da Consultoria Estratégia e Comportamento Organizacional.É autora do livro EU Sou o meu Maior Projecto, editado em 2016 .

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